Pai de adolescente que morreu no 'PSM da 14', em Belém, denuncia negligência: 'descaso total, meu filho foi abandonado'

  • 31/03/2026
(Foto: Reprodução)
Adolescente ficou internado no PSM da 14 de Março, em Belém, durante crise com ausência de neurocirurgiões. Reprodução / Arquivo Pessoal Crises com suspeitas de meningite, segundo a família, em meio à interrupção dos serviços de neurologia e neurocirurgia no Hospital Municipal Mário Pinotti, conhecido como "PSM da 14 de Março", em Belém. Este foi o cenário antes de Eloan Guilherme Soares morrer aos 15 anos à espera de tratamento adequado na unidade referência na capital paraense. Segundo apuração do g1, a equipe médica informou que o paciente morreu com infecção. O caso foi levado para a Justiça. Eliel Soares, pai do adolescente, desabafou em entrevista ao g1 sobre o "descaso total" que, segundo ele, custou a vida do filho. "Minha família está destruída, não consigo nem mais trabalhar". A família viajou 143 km de Igarapé-Miri até Belém com encaminhamento médico por suspeita de meningite. O menino enfrentou negações de atendimento em vários hospitais antes de chegar ao Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, onde durante a internação chegou a faltar neurocirurgiões, serviço suspenso desde março por suposta falta de pagamento aos médicos. "Foi uma negligência, largaram ele lá", diz o pai. A prefeitura disse que, durante a interrupção dos serviços no PSM, os pacientes que precisavam estavam sendo levados para unidades particulares. O g1 procurou a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) para um novo posicionamento sobre o caso de Eloan, mas não havia obtido resposta até a última atualização da reportagem. 'Situação grave', diz CRM: Sem neurocirurgiões, 'PSM da 14', em Belém, está com pacientes nos corredores DPE cobra Prefeitura na Justiça por falta de neurocirurgiões no PSM da 14 Busca por atendimento Eloan chegou ao "PSM da 14" no dia 7 de março, após passagens frustradas por outros dois hospitais públicos onde recebeu apenas medicação inicial. No PSM, passou por cirurgia de emergência para drenar excesso de líquido no cérebro, com suspeita de meningite ou encefalite, mas o pai diz que o material coletado "sumiu" e exames tiveram que ser refeitos, sem confirmação para a infecção bacteriana. "Todo dia tiravam sangue, mas nunca disseram o que era. Perguntava o que causou, não sabiam responder", contou Eliel, que viu o filho piorar com tremores, vômitos, febre e curativos que não grudavam. No dia em que os neurocirurgiões entraram em greve, a família foi orientada a esperar 48 horas por vaga em UTI com suporte especializado, mas o serviço já estava paralisado. Eloan, agitado e sem abrir os olhos, ficou amarrado na cama, sem visitas próximas ou hidratação adequada, segundo a família. "Eu pedia água pra ele, que tinha sede, mas não deixavam ficar perto. No dia 20, tremia muito, e no sábado (21) soubemos que tinha falecido às 15h, mas eu acho que ele já havia falecido há um dia, e não nos avisaram", acusou o pai. Eliel conta que o filho era "alegre, inteligente, sorria pra todo mundo". "Nós pagamos impostos e, na hora que precisa, nos negligenciam. Espero justiça, que não aconteça com outras crianças", implorou Eliel. O caso de Eloan foi citado em uma ação da Defensoria Pública contra a Sesma, impetrada na segunda-feira (30), apontando por "omissão em responder ofício sobre a crise que compromete traumas graves no PSM da 14". Entenda o caso Pacientes aguardam nos corredores no setor de neurocirurgias no 'PSM da 14 de Março', em Belém. Reprodução / Arquivo Pessoal O "PSM da 14 de Março" enfrenta uma crise na neurocirurgia e neurologia, com pacientes dormindo nos corredores à espera de atendimento, conforme denunciou o Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA). A unidade, única na cidade com pronto-atendimento 24 horas em neurologia e neurocirurgia, recebe em média 150 casos diários nessa especialidade, mas o serviço está suspenso há mais de duas semanas por falta de profissionais, motivada por dívidas não reconhecidas pela secretária de Saúde, Dyjane Amaral, desde novembro de 2025. A Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE/PA) cobrou explicações da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) via ofício, questionando a paralisação, pendências financeiras, vínculo dos médicos e medidas emergenciais, sem resposta até o momento. A situação eleva riscos de óbito, agravamento e sequelas para vítimas de traumas cranioencefálicos e emergências neurológicas, com a Sesma alegando transferências para hospitais credenciados como Beneficente Portuguesa e Ordem Terceira, que operam apenas em sobreaviso, sem plantão contínuo, de acordo com o CRM. A prefeitura nega falta de atendimentos e anuncia contratação emergencial de neurologia, mas o CRM-PA critica a tentativa de "sucatear" o PSM público em favor de unidades privadas. Paralelamente, persistem problemas como desabastecimento de medicamentos renais, levando a ações judiciais com tutelas de urgência deferidas, como no caso de uma adolescente com síndrome nefrótica que chegou a ficar internada sem tratamento adequado. VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará

FONTE: https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2026/03/31/pai-de-adolescente-que-morreu-no-psm-da-14-em-belem-denuncia-negligencia-descaso-total-meu-filho-foi-abandonado.ghtml


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